Divisão no Continente: A Crise Venezuelana e o Papel do Brasil
- adautoribeirorepor

- 21 de dez. de 2025
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A intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para a região. Lula descumpre uma das regras impostas por Donald Trump e deixa o Brasil de fora da lista de diversos países que perdem a democracia de novo na Venezuela.
Além disso, a situação piora bastante, pois os Estados Unidos, dessa vez, interceptaram mais uma embarcação petroleira em destino à Venezuela, desta vez de bandeira chinesa.
Em meio a uma escalada de tensões geopolíticas na América do Sul, as relações entre Venezuela, Estados Unidos e Brasil tornam-se cada vez mais complexas e instáveis, com efeitos que vão desde sanções econômicas severas até o risco real de confrontos armados.
No centro dessa crise está o regime de Nicolás Maduro, classificado pelos Estados Unidos como uma organização terrorista ligada ao narcotráfico e responsável por violações sistemáticas de direitos humanos.
Enquanto parte dos países da região se alinha à posição norte-americana, oferecendo apoio político, logístico e territorial para operações contra Caracas, o Brasil, sob a liderança do presidente Luís Inácio Lula da Silva, mantém uma postura de neutralidade que vem sendo alvo de duras críticas.
A situação venezuelana se deteriorou rapidamente nas últimas semanas com a implementação de um bloqueio naval conduzido pelos Estados Unidos, cujo objetivo é interromper o fluxo de petróleo, principal fonte de receita do país.
Em menos de 24 horas, forças norte-americanas realizaram duas apreensões de navios petroleiros na costa da Venezuela, demonstrando o grau de intensidade da operação. No dia 20 de dezembro de 2025, a guarda costeira dos Estados Unidos interceptou o navio MT Centries, de bandeira panamenha e propriedade chinesa, que transportava petróleo bruto venezuelano com destino à Ásia.
Apesar de a embarcação não estar sob sanções diretas, a ação indicou a ampliação do bloqueio anunciado pelo presidente Donald Trump, que declarou um bloqueio total a qualquer navio envolvido no comércio de petróleo ligado ao regime Maduro.
Washington afirma que os recursos obtidos com essas exportações financiam redes de narcotráfico e organizações criminosas transnacionais. Poucas horas depois, em 21 de dezembro, um segundo petroleiro, o MT Bela 1, de bandeira guianense e já sancionado, foi apreendido em águas internacionais no sul do Caribe.
A rapidez das operações reforçou a determinação dos Estados Unidos em isolar economicamente a Venezuela. Como consequência imediata, as exportações de petróleo despencaram, com milhões de barris retidos em águas venezuelanas e diversas embarcações evitando rotas internacionais por receio de confisco.
A China, principal compradora do petróleo venezuelano, foi diretamente afetada, com embarques que superavam 600 mil barris por dia praticamente interrompidos. Pequim classificou as ações como pirataria internacional, mas até o momento não indicou qualquer resposta militar.
Diante da pressão crescente, o governo venezuelano optou por não empregar sua marinha de guerra para escoltar os petroleiros que chegam ou deixam seus portos, temendo um confronto direto com a expressiva presença naval dos Estados Unidos na região.
Essa decisão evidencia a fragilidade das forças armadas venezuelanas, afetadas por anos de subfinanciamento, sanções internacionais e perda de capacidade operacional.
Maduro denunciou as apreensões como roubo e sequestro de embarcações privadas em águas internacionais e prometeu recorrer a organismos multilaterais como a ONU. No entanto, a ausência de escolta deixa os navios vulneráveis e agrava a crise econômica e humanitária, marcada por escassez de alimentos, medicamentos e combustível, impulsionando a migração em massa de venezuelanos para países vizinhos, sobretudo o Brasil.
No cenário regional, seis países do Mercosul — Argentina, Paraguai, Panamá, Bolívia, Equador e Peru — divulgaram um comunicado conjunto em 20 de dezembro de 2025 pedindo o restabelecimento da ordem democrática na Venezuela e condenando violações de direitos humanos.
O texto destacou a crise humanitária, social e migratória e relembrou a suspensão da Venezuela do bloco em 2016 por ruptura da ordem democrática.
O Brasil ficou fora da declaração, evidenciando a divisão no continente. Enquanto líderes como o presidente argentino Javier Miley elogiaram a pressão exercida pelos Estados Unidos, Lula afirmou que uma eventual intervenção militar representaria uma catástrofe humanitária e um precedente perigoso para a região.
A postura brasileira reflete dilemas internos e externos. O país abriga milhões de refugiados venezuelanos e sente diretamente os impactos da instabilidade na fronteira norte. Críticos sustentam que a neutralidade brasileira enfraquece a pressão internacional e ignora o sofrimento da população venezuelana.
Por outro lado, governos alinhados aos Estados Unidos veem na ofensiva contra Maduro uma oportunidade de enfraquecer o crime organizado transnacional, recebendo em troca cooperação em inteligência, treinamento e segurança.
Cada vez mais isolada, a Venezuela conta apenas com apoio retórico de aliados como Rússia, China e Irã, sem ações concretas capazes de romper o bloqueio naval. A saída de aeronaves particulares ligadas à elite venezuelana de Caracas sinaliza apreensão interna diante de uma possível escalada militar.
No mercado internacional, o petróleo ainda se mantém relativamente estável, mas analistas alertam que a retirada de até 1 milhão de barris diários pode gerar pressão sobre os preços.
Enquanto isso, a América do Sul permanece dividida entre aqueles que veem na pressão dos Estados Unidos uma oportunidade para restaurar a democracia e os que temem um novo ciclo de intervencionismo, deixando o futuro da região marcado por incerteza e volatilidade.
A Venezuela, por sua vez, encontra-se em uma posição cada vez mais isolada, com aliados oferecendo apenas retórica de apoio, mas sem ações concretas para romper o bloqueio.
Maduro acusa os Estados Unidos de táticas coercitivas e busca solidariedade em fóruns internacionais, mas a saída em massa de aviões particulares da elite venezuelana de Caracas sinaliza o pânico interno ante uma possível guerra.
O mercado global de petróleo, por enquanto abastecido, pode enfrentar pressões de preços se o embargo remover até 1 milhão de barris por dia da oferta mundial.
Enquanto o mundo observa, a América do Sul se divide entre aqueles que veem na pressão norte-americana uma chance de democracia e os que temem um novo capítulo de intervencionismo, deixando o futuro da região incerto e volátil.





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