Pressão sobre Venezuela e Colômbia: O Novo Paradigma da Guerra ao Narcotráfico
- adautoribeirorepor

- 16 de dez. de 2025
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Na tarde desta terça-feira, os Estados Unidos classificaram oficialmente pela primeira vez uma facção criminosa da América do Sul como organização terrorista.
A medida atingiu uma facção da Colômbia e abriu espaço jurídico e político para ações diretas no país andino, além de criar precedentes que podem alcançar outras nações da região, incluindo o Brasil.
EUA Redefinem Estratégia na América Latina: Crime Organizado sob Enquadramento Antiterrorista
Dentro desse cenário de endurecimento da política de segurança regional, a Venezuela voltou ao centro das atenções internacionais após sofrer um ataque cibernético de grandes proporções, que atingiu diretamente os sistemas administrativos e logísticos da Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), estatal responsável pela produção e exportação de petróleo, principal fonte de receitas do país.
O incidente ocorrido no fim de semana provocou a paralisação de redes estratégicas responsáveis pelo controle de exportações e importações no principal terminal petrolífero venezuelano localizado em José, no litoral oriental do país.
De acordo com informações internas, a invasão digital comprometeu plataformas críticas de dados, atrasou carregamentos de petróleo já programados e forçou a adoção imediata de protocolos de emergência em toda a companhia.
Funcionários foram orientados a desligar computadores, desconectar equipamentos externos, suspender conexões de Wi-Fi e Starlink e não reiniciar quaisquer dispositivos sem autorização prévia, o que indica o temor de comprometimento de informações sensíveis e possível espionagem industrial ou estatal.
Embora o governo venezuelano afirme que a produção de petróleo não foi diretamente afetada, o episódio evidenciou a fragilidade estrutural das redes administrativas da PDVSA, enfraquecidas por anos de manutenção limitada, perda de licenças de softwares essenciais e impactos acumulados das sanções internacionais.
Fontes internas indicam que a estatal já havia sofrido ataques cibernéticos anteriores, porém nenhum com duração e impacto semelhantes ao atual.
O presidente Nicolás Maduro classificou o episódio como uma tentativa de sabotagem e voltou a acusar os Estados Unidos de conduzirem ações encobertas contra o país.
Segundo o governo venezuelano, o ataque se insere em um contexto mais amplo de pressão externa, que incluiria sanções econômicas, apreensão de embarcações, operações de inteligência e ações de guerra cibernética com o objetivo de enfraquecer o setor energético venezuelano.
Do Ciberataque à PDVSA à Designação do Clã del Golfo: A Nova Doutrina de Washington
Essa crise ocorre em um momento de elevação das tensões regionais. Em outubro, o presidente Donald Trump declarou ter autorizado ações encobertas da Agência Central de Inteligência na Venezuela, oficialmente para conter o narcotráfico e a migração ilegal.
Desde então, os Estados Unidos intensificaram operações no Caribe, incluindo a apreensão de navios ligados ao transporte de petróleo venezuelano e embarcações suspeitas de envolvimento com drogas.
Paralelamente ao ataque cibernético na Venezuela, os Estados Unidos anunciaram na tarde desta terça-feira a classificação oficial do clã del Golfo, maior facção criminosa da Colômbia, como organização terrorista estrangeira e terrorista global especialmente designado.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que afirmou que o grupo financia suas atividades violentas por meio do tráfico internacional de cocaína e é responsável por ataques contra forças de segurança, autoridades públicas e civis.
Do Ciberataque à PDVSA à Designação do Clã del Golfo: A Nova Doutrina de Washington
A decisão representa uma mudança significativa na estratégia de Washington para a América Latina. Ao classificar uma facção criminosa como organização terrorista, os Estados Unidos ampliam drasticamente seu leque de instrumentos legais, financeiros e militares, abrindo o caminho para sanções mais severas, bloqueio internacional de ativos e, principalmente, para a realização de operações diretas ou indiretas dentro do território colombiano, sob o argumento de combate ao terrorismo.
Na prática, essa designação cria precedentes jurídicos e políticos para ações militares, operações de inteligência ampliadas e cooperação forçada com governos da região.
Analistas apontam que o novo enquadramento do clã del Golfo permite aos Estados Unidos tratar o crime organizado latino-americano sob a mesma lógica aplicada a grupos extremistas do Oriente Médio, elevando o nível de confrontação.
O impacto dessa decisão não se limita à Colômbia. Ao rotular uma facção criminosa como terrorista, os Estados Unidos passam a sinalizar que outras organizações do narcotráfico na América do Sul e no Caribe podem receber o mesmo enquadramento.
Esse movimento abre brechas para uma aproximação ainda maior entre Washington e países considerados estratégicos como o Brasil, especialmente no campo da segurança, inteligência e combate ao crime organizado transnacional.
Brasil no Radar: O Impacto da Política Antiterrorismo dos EUA na Região
Dentro desse novo cenário, as maiores facções criminosas que atuam no Brasil passam a entrar no radar direto da política de segurança dos Estados Unidos.
A ampliação da cooperação bilateral pode incluir compartilhamento de inteligência, monitoramento financeiro internacional, rastreamento de rotas do narcotráfico e pressão diplomática para operações conjuntas.
Na avaliação de especialistas, essa aproximação tende a aumentar à medida que Washington associa o crime organizado latino-americano a ameaças diretas à sua segurança nacional.
O ataque cibernético à PDVSA e a classificação do clã del Golfo como grupo terrorista não são eventos isolados, mas parte de uma mesma estratégia de reposicionamento dos Estados Unidos na América Latina.
De um lado, a pressão sobre a Venezuela atinge seu principal pilar econômico e expõe vulnerabilidades críticas do regime de Maduro.
De outro, o endurecimento contra facções criminosas redefine o conceito de segurança regional e amplia o espaço para intervenções diretas ou indiretas.
Os acontecimentos recentes indicam uma inflexão clara na política dos Estados Unidos para a América Latina, com a adoção de uma abordagem mais agressiva e integrada.
O uso do enquadramento antiterrorismo contra facções criminosas cria um novo paradigma jurídico que permite ações extraterritoriais, amplia a presença de inteligência e pressiona governos da região a se alinharem a essa estratégia.
Ao mesmo tempo, ataques cibernéticos e medidas de asfixia econômica contra a Venezuela reforçam a leitura de que o setor energético passou a ser tratado como alvo estratégico.
Nesse contexto, o Brasil surge como peça-chave, tanto pela dimensão de suas organizações criminosas quanto por sua posição geopolítica, o que pode colocá-lo no centro de futuras articulações de segurança hemisférica, com impactos diretos sobre soberania, política interna e estabilidade regional.





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