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Trump avança sobre a Groenlândia e arrisca implodir a OTAN

 — Imagem/Reprodução: COMANF CARCARÁ: INVASÃO da GROENLÂNDIA é INEVITÁVEL? | Fala Glauber.

Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter and @FalaGlauberPodcast


Na Segunda Guerra Mundial, a Groenlândia foi usada como base também, né? Porque ali é passagem.


Quando está na época menos fria, os navios passam levando petróleo de um lugar para outro, e é um local onde os americanos antecipam um ataque nuclear de submarinos também.


Então eles veem essa parte estratégica. O que é novidade agora é voltar à carga desse assunto momentos após a ação conduzida na Venezuela, que toma outra dimensão, porque os líderes mundiais começam a botar as suas barbas de molho.


Se ele passar uma linha no globo, literalmente o meridiano, cortar o meridiano com uma faca, metade do globo é dele. E esse parece ser o planejamento.


A gente, quando olha para a Groenlândia, não pensa nela como ameaça aos Estados Unidos, não pensa nela como um país que os Estados Unidos precisam tomar por uma série de questões.


Só que a Groenlândia tem terras raras, e isso é muito importante. Na verdade, há duas coisas muito importantes na Groenlândia: as rotas e a ameaça ao Ártico.


As rotas facilitam o tráfego de embarcações americanas ao redor do mundo, às vezes reduzindo a logística pela metade. O segundo ponto é a ameaça ao Ártico. Trump fez um comunicado, Marco Rubio falou sobre isso e a porta-voz oficial da Casa Branca também.


O que esses três disseram? Que não está descartado o uso de forças militares na Groenlândia. Trump, ao ser indagado, disse que não dá para descartar. Caroline afirmou que, se precisar, será feito.


Marco Rubio disse que não dá para contar com a defesa da Dinamarca, porque há inúmeros navios russos e chineses ao entorno, e o Ártico pode ser um problema.


Num cenário de guerras cada vez maiores, segundo eles, é preciso ter esse território. Eles podem fazer essa investida, trabalhar com seus navios ao entorno da Rússia e da China.


Isso poderia ser até uma terceira guerra, com navios contra navios pela tomada de território, já que envolve as grandes potências: Estados Unidos, Rússia e China.


Diferente da outra vez, a Groenlândia não parecia muito preocupada. A mídia local repercutiu que o pessoal de Trump foi lá, conversaram, e poderia haver um acordo. A Groenlândia pertence, entre aspas, à Dinamarca, mas é o seu próprio povo.


A primeira-ministra da Dinamarca disse ferozmente que isso é inaceitável. Trump estaria querendo criar uma terceira guerra. Ela fez um pronunciamento oficial dizendo à população: “Esperem o melhor, mas se preparem para o pior, porque uma invasão pode acontecer”.


O primeiro-ministro da Groenlândia se manifestou como nunca antes, dizendo que não vai acontecer e que Trump tem que aprender a respeitar os países.


Falou em tom ríspido. Isso gerou especulação internacional de que Dinamarca, União Europeia ou até Rússia e China podem ter oferecido algo à Groenlândia. O primeiro-ministro, J. Frederick Nilson, intensificou sua fala de uma forma nunca antes vista.


A situação da Groenlândia pode ser o segundo grande conflito após a Venezuela, sendo que há vários países na mira dos Estados Unidos.


É complicado, porque são aliados americanos, fazem parte da OTAN, então é uma briga dentro de casa. Na opinião de alguns, Trump vai colocar pressão, e no final a Dinamarca vai oferecer o uso incondicional da Groenlândia sem precisar tomá-la.


Na Segunda Guerra Mundial, a Groenlândia foi usada como base porque é passagem. Os navios levam petróleo e é um local estratégico.


Muito bom, Carcará. Vamos passar para o comandante Vilas Boas. A Groenlândia é um assunto importante porque, mais uma vez, Trump coloca em pauta para todo mundo enxergar qual é o seu estilo de negociação.


Já vimos isso no caso da Venezuela, no caso do Brasil, com a chamada teoria da vaca: coloca um boi no meio da sala, depois tira o boi e coloca uma cabra, e assim todos ficam felizes.


Ou a teoria do sapato apertado, como alguns chamam. Esse estilo de Trump está ficando manjado e as pessoas começam a tomar consciência dele.


O que muita gente ainda não acreditava é na capacidade dele de realmente ir até o final e mostrar que aquele jogo de pôquer não era blefe. Isso chama a atenção do mundo inteiro.


A questão da Groenlândia já estava em pauta desde os primeiros dias, não é novidade. O que é novo é ele voltar a esse assunto logo após a ação conduzida na Venezuela, que ganhou outra dimensão e fez os líderes mundiais ficarem mais atentos.


A Groenlândia pode ser vista sob a ótica da segurança nacional, como o próprio Trump fala, mas também como segurança mundial. Aquela região é extremamente importante desde a Segunda Guerra Mundial.


Ela compõe o chamado “gap GIUK” (Groenlândia, Islândia e Reino Unido), uma linha estratégica que fechava o acesso ao Mar Báltico e ao Ártico. Foi fundamental para as ações dos Aliados, pois permitia barrar os submarinos alemães.


A partir do domínio dessa região, os Aliados faziam reconhecimento, monitoramento, lançavam hidrofones e conseguiram reduzir os ataques das “matilhas” de submarinos alemães.


Os Estados Unidos têm presença na Groenlândia há muito tempo. Já foi parte de uma ocupação norte-americana e permanece até hoje. A principal base militar é a de Pitfook, que continua sendo estratégica.


Hoje, a importância maior, segundo Trump, está nas linhas de comunicação marítimas do Ártico. Com o derretimento do gelo, rotas estão se abrindo e tanto Rússia, China, Canadá e Estados Unidos estão de olho.

Essas rotas são vitais para a logística mundial.


Um navio que sai do Japão, por exemplo, pode cruzar o Ártico e chegar à Europa em muito menos tempo do que pelo trajeto tradicional via Pacífico, Índico e Mediterrâneo. Isso representa uma enorme economia de custos.


Por isso, controlar esse “estreito” é essencial para os Estados Unidos, que querem monitorar o envolvimento russo e chinês.


A Rússia tem a maior frota de quebra-gelos nucleares do mundo, com 11 navios, enquanto os EUA têm apenas dois. Isso mostra como Moscou já olha para essa questão há muito tempo. O mundo parece só ter despertado agora porque Trump trouxe a Groenlândia de volta ao debate.


A Groenlândia é um território autônomo, ligado à Dinamarca, que conquistou maior independência em 2009, mas ainda depende dela em relações internacionais e defesa.


É justamente nesse ponto que Trump pressiona: acusa a Dinamarca, que faz parte da União Europeia e da OTAN, de não estar suficientemente preocupada em barrar o avanço russo e chinês na região.


Ele insiste que os Estados Unidos precisam da Groenlândia para garantir o controle e o acesso global, justificando sua pressão com o argumento da defesa nacional americana.


Quando olhamos os aspectos da chamada “tirania da geografia”, é interessante comparar a densidade demográfica da Groenlândia com a da Amazônia. A Amazônia Legal já tem uma densidade muito baixa, cerca de 5,3 habitantes por km².


A Groenlândia inteira tem apenas 0,14 habitantes por km². Essa característica geográfica também ajuda no discurso de Trump, reforçando a importância estratégica da localização.


Outro ponto é a importância econômica. A Groenlândia é rica em terras raras, recurso que deve ser a dinâmica dos conflitos nos próximos anos, já que o mundo inteiro está atrás disso.


Dentro da estratégia de negociação de Trump, falar em ação militar contra um país da OTAN parece mais um instrumento de pressão do que uma possibilidade real. Uma ação militar nesse cenário é praticamente descartável hoje, mas serve como parte da retórica.


O que Trump realmente busca é forçar uma presença mais forte dos Estados Unidos na região. Isso pode acontecer com o aumento da presença militar na base já existente, a criação de novas bases, portos para a Marinha norte-americana e da OTAN, ou até acordos de exploração de terras raras.


Ele pode usar artifícios diplomáticos, econômicos e, em último caso, militares para impor negociações. A opção militar seria a última alternativa, mas a simples menção já funciona como dissuasão: mostrar que há recursos para cumprir aquilo que, em princípio, poderia parecer apenas um blefe.


Essa política se encaixa na lógica da “real politique”: defesa dos interesses, da soberania e da sobrevivência americana, dentro da visão “America First”. Isso significa colocar os interesses dos Estados Unidos à frente de tudo, mesmo contra tradições de décadas dentro da própria OTAN.


A situação da Groenlândia chamou atenção também porque a União Europeia se manifestou dizendo que os Estados Unidos não têm esse direito e que, se isso acontecer, a OTAN pode acabar, já que tanto os EUA quanto a Dinamarca e a Groenlândia fazem parte da aliança. Não existe cenário em que isso seria aceitável.


A Europa, porém, não tem força suficiente para impor sua posição, ainda mais tendo que lidar com Putin.

Nesse contexto, Júlio Roque destacou que os Estados Unidos são o maior financiador da OTAN e, portanto, têm a voz mais ativa dentro da organização.


Trump não parece preocupado com a continuidade da OTAN ou com a União Europeia, que já enfrenta crises internas. Países como Itália, Polônia e Hungria têm reclamado que a União Europeia não funciona como deveria, e líderes como o presidente da Hungria chegaram a dizer que é uma “grande enganação”.


Assim, mesmo diante das críticas europeias, Trump continua agindo e falando em possibilidades que vão desde acordos e compras até operações militares. Esse conjunto de opções faz parte da sua estratégia de negociação e pressão,


Foi comentado aqui no canal sobre a divisão do mundo entre as três grandes potências que hoje dominam o tabuleiro geopolítico: China, Estados Unidos e Rússia.


Quando olhamos para a posição da Groenlândia, vemos que ela está ao norte do Canadá. Em mapas planos, fica claro que a Groenlândia faz parte do conglomerado das Américas nessa extensão setentrional.


Numa visão didática, se traçarmos uma linha meridiana no globo, metade dele ficaria sob influência americana. A outra metade seria dividida entre Rússia e China: a China ficaria com o lado oriental e a Rússia com a parte central, incluindo a Europa.


Já a África aparece como um ponto de interrogação, pois a influência ocidental foi praticamente expulsa dali após séculos de colonialismo. Países como Mali expulsaram França, Itália e Espanha, e hoje parecem caminhar para uma independência apoiada por China e Rússia dentro do bloco dos BRICS.


Assim, a África estaria sendo dividida entre Rússia e China, com pouca influência americana. A Nigéria talvez seja uma exceção, sofrendo alguma influência ocidental, especialmente após denúncias de perseguição a cristãos, tema que chamou a atenção de Donald Trump e pode ser usado como justificativa para uma presença americana no continente.


Sobre a Dinamarca, o primeiro-ministro reagiu em tom ríspido às declarações de Trump. Mas, comparando, foi muito mais brando do que falas de líderes como Maduro, que chegou a desafiar publicamente os EUA e acabou preso.


Nesse sentido, seria mais inteligente enquadrar Trump em termos de quebra de acordos internacionais do que reagir com indignação, já que a União Europeia não consegue se sustentar em pé.


A União Europeia, de fato, dá sinais de enfraquecimento.


Os exércitos europeus voltam a crescer, em parte por pressão direta de Trump, que exigiu aumento dos gastos com defesa. Ele chegou a ameaçar embargos financeiros e rapidamente os países se ajustaram, inclusive comprando equipamentos de empresas americanas de defesa.


Isso mostra como tudo está interligado. Em conflitos como os de Israel e Palestina, já nos primeiros bombardeios se pensa na reconstrução — um negócio altamente rentável. O mesmo ocorreu no Iraque, na Síria e em outros países.


Agora, a vez é da Venezuela.


Como bem lembrado, um dos tópicos centrais é justamente a reconstrução, que atrai empresários com muito dinheiro interessados não apenas em influência política e ideológica, mas também em ganhos financeiros.






 
 
 

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