A Doutrina Americana e o Novo Tabuleiro Geopolítico na América Latina
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Atualizado: há 6 dias
Cuba se rende aos Estados Unidos, mas o regime teme uma invasão americana, como aconteceu na Venezuela. Para o Brasil, o prazo está acabando em relação às facções criminosas brasileiras, e o governo de Donald Trump pode confirmar as classificações a qualquer momento.
Você acredita que o governo americano está certo em realizar essas ações contra governos na América Latina ou isso é uma interferência?
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel anunciou em pronunciamento televisionado que ocorreram intercâmbios entre autoridades de ambos os governos para buscar soluções às diferenças bilaterais. A declaração veio após três meses de bloqueio total de petróleo, que deixou a ilha em colapso, com apagões de até 20 horas diárias, paralisia no transporte público e desabastecimento de remédios e alimentos. Cuba produz menos de 40% do combustível que consome, dependendo quase integralmente da Venezuela e, em menor escala, do México.
O timing não foi casual. Em 3 de janeiro de 2020, forças especiais americanas capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores em uma operação militar em Caracas. Maduro, acusado de narcoterrorismo, violações sistemáticas de direitos humanos e liderança do cartel de Los Soles, foi levado aos Estados Unidos para julgamento. Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina e passou a cooperar com Washington, modelo que o governo Trump agora tenta replicar em outras capitais.
Com a interrupção imediata dos embarques de petróleo venezuelano e, semanas depois, a suspensão das remessas mexicanas sob pressão americana, Cuba perdeu cerca de 60.000 barris diários. Trump repetiu em diversas ocasiões que um acordo com Havana é iminente e que o regime está desesperado. Fontes próximas à Casa Branca indicam que o pacote em discussão inclui relaxamento de restrições de viagem, acesso a portos, energia e turismo, medidas executivas que não exigem aprovação do Congresso.
O cenário cubano insere-se em uma estratégia mais ampla, anunciada entre o final de 2025 e o início de 2026: a chamada Doutrina Don Roll, uma atualização da Doutrina Monroe adaptada ao século XXI. O documento de segurança nacional americano define três objetivos claros para o hemisfério ocidental: erradicação de cartéis e organizações criminosas transnacionais, exclusão da influência de potências adversárias como China e Rússia em ativos estratégicos, e alinhamento político e de segurança de todos os governos da América Latina com os interesses americanos, seja por cooperação voluntária ou por pressão econômica e militar.
A primeira aplicação prática foi a Venezuela, seguida pelo México, onde em fevereiro de 2026 o exército mexicano, com inteligência americana, eliminou Nemésio Oseguera, líder do cartel Jalisco Nova Geração. A operação gerou ondas de violência, mas foi celebrada em Washington como prova de que governos aliados podem e devem usar força militar direta.
No caso do Brasil, os EUA pressionam para que facções como o PCC e o Comando Vermelho sejam classificadas como organizações terroristas estrangeiras. Apesar da resistência de Brasília, Washington insiste que a cooperação plena é condição para evitar ações unilaterais.
Enquanto isso, a guerra simultânea contra o Irã serve de pano de fundo, mas não freia o foco no quintal. Trump afirmou repetidamente que Cuba cairá a qualquer momento, seja por negociação ou por colapso interno. Analistas veem na ilha o próximo teste da doutrina, embora alertem para riscos como o nacionalismo cubano histórico e a ausência de uma liderança capaz de negociar uma transição suave.
Por ora, Cuba sobrevive com conversas iniciais enquanto os apagões continuam. Os Estados Unidos avançam na implementação da Doutrina Don Roll, país por país, da Venezuela ao México, do Caribe à América do Sul, usando a combinação de asfixia econômica, designação de grupos como terroristas e ameaça de força militar para garantir que nenhum governo escape do alinhamento. O próximo capítulo já tem nome e bandeira: Cuba.



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