Conflitos de Interesse na CPMI do INSS e a Igreja da Lagoinha
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O presidente da CPMI e do INSS, Carlos Viana, destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação da Igreja da Lagoinha, ligada ao pastor André Valadão e a outros personagens envolvidos no escândalo do Banco Master.
Em contrapartida, Viana tem atuado para blindar a instituição nas investigações da comissão. O deputado Rogério Corrêa vem alertando há meses sobre esse conflito de interesse, solicitando requerimentos para quebra de sigilo do pastor Valadão e convocação de líderes da Lagoinha, mas Viana trabalha ativamente para desviar o foco.
Seis igrejas foram citadas nas investigações. Três delas apresentaram sinais de recebimento indevido de recursos e tiveram seus sigilos quebrados, mas os parlamentares não comentaram mais nada. Outras três receberam doações de pessoas investigadas, sem sinais claros de lavagem de dinheiro.
A Clava Fort Bank, banco ligado à Lagoinha, foi apelidado de “lava fort bank” por denúncias de lavagem de dinheiro que circulava entre a igreja e empresas fantasmas, muitas delas ligadas ao bolsonarismo. 3
Corrêa questiona se, com Viana e o relator Gaspar — ambos apoiados por Jair e Flávio Bolsonaro —, há condições reais de avançar nas apurações, já que reuniões são desmarcadas e requerimentos importantes, como o de quebra de sigilo de Nicolas Ferreira, não entram na pauta.
Em entrevista ao programa Roda Viva, Viana foi pressionado a explicar os repasses e tentou justificar como apoio a ações sociais da igreja, mas a coluna de Tácio Lohan, do Metrópoles, comprovou que os repasses ocorreram entre 2019 e 2025, período em que a comissão investiga desvios bilionários no INSS.
A Lagoinha entrou na mira após revelações de que Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, patrocinou um evento de réveillon da entidade religiosa em 2024.
O deputado Corrêa também denunciou a atuação da Clava Fort Bank e de Fabiano Zetel, sócio e cunhado de Daniel Vorcaro, acusado de lavagem de dinheiro na igreja.
Apesar das denúncias, Viana tentou desvincular Zetel da Lagoinha, afirmando que ele tinha uma igreja separada com CNPJ próprio. No entanto, as emendas foram destinadas à fundação matriz da Lagoinha.
A convocação de Zetel foi aprovada recentemente e espera-se que ele deponha ainda em março.
As acusações envolvem doações milionárias para campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, além de empréstimos de avião para atividades eleitorais, revelando contradições e relações políticas profundas entre os investigados e figuras do bolsonarismo.



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