Diesel em Contagem Regressiva — O Dilema do Governo Brasileiro
- adautoribeirorepor

- 13 de mar.
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @AmbienteDeConhecimentoe
Então, cara, ó, o que acontece? Estamos numa situação complicada, Vilela, por causa de um problema que começou há dez meses. Na época, todo mundo achou lindo: o governo anunciou que iria retirar a paridade do petróleo com o preço internacional.
Ou seja, o petróleo aqui dentro não acompanharia a oscilação do preço lá fora. Resultado: estamos há dez meses sem aumento do petróleo no Brasil. Mas isso é falso, é subsidiado, maquiado, forçado. A Dilma fez isso e deu no que deu. Dez meses sem reajuste, até que veio a guerra e o preço disparou. Antes a diferença era pequena, agora é monstruosa. Se não ajustar logo, vira um problemão.
Combustível caro ferra o governo. A população não quer saber se tem guerra ou não: se o combustível sobe, tudo sobe. É como na pandemia, ninguém queria saber se era culpa do Bolsonaro, a economia ruim sempre cai na conta do governo. Para um governo que quer se reeleger, isso é um problema enorme, favorece a oposição, que ganha argumento e torce pelo caos.
Lembra do Bill Maher, nos EUA, dizendo que só uma recessão derrubaria Trump? Pois é, veio a pandemia e arrebentou tudo. Aqui, surgiu um problema parecido: a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (ABNCO) está desesperada.
Vou explicar de forma simples: imagina que o cara importa diesel pagando 10, mas aqui o preço está 5. Ele não vai vender com 50% de prejuízo. Então, pararam de importar diesel. E o Brasil só tem 15 dias de reserva. Estamos numa contagem regressiva.
O governo está numa encruzilhada: ou aumenta o preço em R$ 2,50 por litro para equilibrar, o que deixaria o povo irado em ano de eleição, ou segura artificialmente e corre o risco de faltar diesel. Se faltar, o país para. Nossa matriz é rodoviária, caminhões dependem de diesel.
Lembra da greve dos caminhoneiros em 2018? Imagine o diesel disparando e eles parando de transportar. Seria um caos social. Já há relatos de falta de combustível no Rio Grande do Sul, por estar longe das áreas de refino. Se os importadores não voltarem, em 15 dias o estoque acaba.
E não é só combustível. Do petróleo refinado vem enxofre, do enxofre o ácido sulfúrico, e dele a extração de cobalto, prata e níquel — três insumos vitais para tecnologia, setor bélico e inteligência artificial. Se faltar, a indústria vai pro espaço. É por isso que o fechamento do estreito de Ormus arrebenta o planeta inteiro. Estamos diante de uma contagem regressiva global.
Precisávamos ser autossuficientes em refino, não adianta extrair petróleo sem capacidade de processar. Além disso, há o gás natural, combustível prioritário da indústria. Sem ele, tudo para. É um problema estrutural que mostra nossa vulnerabilidade.
Crise Energética, Geopolítica e o Tabuleiro Brasileiro
Taiwan, além de ser conhecida como a ilha dos chips, enfrenta também problemas com gás natural. Sem gás, não há produção de semicondutores, e relatos indicam que a reserva deles é de apenas dez dias. Imagine o mundo sem chips.
O reloginho está correndo e pouca gente percebeu a gravidade. Analistas já comparam a situação atual a uma crise pior do que a do petróleo nos anos 70, quando o Brasil, em pleno “milagre econômico”, quebrou de repente por causa da disparada do preço do petróleo após a guerra do Yom Kippur.
Antes que o mundo vire um cenário de Mad Max, a estratégia das elites é assumir o controle das regiões ricas em energia, água e comida. Nesta semana, veio a notícia da descoberta do Aquífero Grande Amazônia (SAGA), capaz de abastecer o planeta inteiro por cerca de 250 anos. São trilhões de metros cúbicos de água doce, uma riqueza incalculável.
Diferente da dessalinização da água do mar, que pode ser destruída com um míssil, o aquífero subterrâneo é praticamente indestrutível. Se olharmos não para o PIB, mas para a riqueza natural, o Brasil é o país mais rico do mundo: terras raras, pecuária, agricultura, água abundante, sem vulcões ou terremotos. O problema é que o povo não percebe esse poder, muitas vezes por operações psicológicas que minam a autoestima nacional.
No campo político, a guerra no Oriente Médio tem impacto direto nas eleições brasileiras. Trump já autorizou enviados a conversarem com Bolsonaro e, ao mesmo tempo, mantém uma relação oscilante com Lula. Há sinais de esfriamento na “lua de mel” entre Trump e Lula, como a ausência do Brasil em eventos internacionais.
Lula, por sua vez, fez declarações preocupantes sobre a necessidade de investir em defesa para evitar uma invasão externa. Comparações entre as forças armadas brasileiras e americanas mostram um abismo, mas especialistas lembram que o Brasil tem vantagem em guerra de selva e urbana, ainda que com equipamentos inferiores.
Nesse tabuleiro, Trump também pressiona para classificar PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, o que abriria espaço para ações diretas dos EUA no Brasil sob a justificativa de combate ao crime organizado. O argumento seria simples: “Vocês não dão conta, alguém precisa fazer alguma coisa.” Assim, a crise energética global, a disputa por recursos naturais e os movimentos políticos internacionais se entrelaçam, colocando o Brasil no centro de uma encruzilhada histórica.
Crises, Poder e o Tabuleiro Global
A retórica usada pelos Estados Unidos contra a Venezuela — acusando o país de enviar drogas que matam jovens americanos e ameaçando explodir embarcações — começa a ser aplicada também ao Brasil. Flávio Bolsonaro chegou a comentar que seria “legal” explodir navios, mas houve forte reação.
A lógica é a mesma: justificar uma possível intervenção sob o argumento de combate ao tráfico. A porta-voz da Casa Branca, Caroline Livet, declarou que “todas as opções estão na mesa” para enfrentar o tráfico na América Latina, inclusive repetir o que foi feito na Venezuela. Isso abre espaço para legitimar ações diretas contra o Brasil.
Já houve precedentes: no Equador, o governo pediu ajuda aos EUA para bombardear traficantes, e o Rio de Janeiro, sob Cláudio Castro, também enviou documentos pedindo apoio, mas esbarrou em limitações legais, já que só seria possível se o governo federal reconhecesse o crime organizado como terrorismo.
Esse cenário levanta a questão: governos tendem a expandir seus poderes durante crises internacionais? O libertário Albert J. Nock, em Nosso Inimigo, o Estado (1958), já alertava que em tempos de crise o governo abocanha mais poder social, prometendo devolvê-lo depois, mas nunca devolve.
Foi assim após o 11 de setembro, quando medidas de vigilância se tornaram permanentes. Crises funcionam como oportunidades para concentração de poder e transferência de riqueza. O “Grande Reset” se apoia nessa lógica: ampliar o Estado e uniformizar pautas.
Hoje, tanto esquerda quanto direita convergem em temas como transição energética, substituição do dinheiro físico pelo digital e renda básica universal. O sistema se fortalece ao englobar os dois lados do espectro ideológico. Larry Fink, da BlackRock, resumiu bem: não importa quem vença, eles financiam ambos os lados e sempre ganham.



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