FINANÇAS NA IGREJA — Fiscalização das Igrejas Evangélicas — Urgência, Polêmica e Realidade
- adautoribeirorepor

- há 7 dias
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @OFuxicoGospelReal
Preste atenção nesse vídeo. Eu acho que está na hora de fiscalizar as igrejas evangélicas. Desculpa falar, mas é claro que esse mundo da fé virou uma grande lavanderia de dinheiro sujo, inclusive envolvendo o narcotráfico.
O que estamos esperando? Por que não estamos discutindo a necessidade de colocar mecanismos de controle sobre as finanças dessas igrejas?
Já sabemos que é muito fácil esconder dinheiro ilícito dentro de igrejas. Basta dizer: “Foi uma doação.” De quem? Não se sabe. É uma situação em que bilhões de reais são colocados num buraco negro que ninguém sabe de onde veio nem para onde vai. O caso da Lagoinha é o momento exato para discutir isso, especialmente porque até mesmo evangélicos estão desconfortáveis com essa situação.
O sujeito citado, líder espiritual, está envolvido em práticas mafiosas, violência, intimidação e prostituição. Na casa de seu cunhado, Daniel Vorcaro, aconteciam festas com prostitutas. Que igreja é essa? Que tipo de interesses estão sendo ocultados sob o manto da liberdade de culto? Liberdade de culto é uma coisa. Liberdade para movimentar dinheiro sujo é outra. Precisamos separar essas duas coisas.
Veja como uma coisa puxa a outra. O escândalo do Banco Master cita constantemente a Lagoinha, porque Zetel e Daniel Vorcaro eram ligados à igreja. Vorcaro era membro, Zetel era pastor em Belvedere, uma igreja rica e próspera. Hoje, aparentemente, não fazem mais parte do quadro pastoral. A Lagoinha está sendo citada, mas até agora não há nada que desabone diretamente a instituição, apenas os atos de dois membros. Mesmo assim, isso afeta a reputação da igreja.
Surge então a questão: por que não começamos a fiscalizar ainda mais o dinheiro que entra e sai das igrejas evangélicas? Esse é um assunto espinhoso para os principais líderes do Brasil. Eles não querem. Se você fala em fiscalizar dinheiro de igreja, surgem milhões de argumentos dizendo que o Estado quer intervir, que é comunismo, que é perseguição religiosa.
Ninguém fica confortável com isso. Eu confesso que não entendo por quê. Por que o dinheiro da igreja não pode ser fiscalizado? Por que os pastores não querem que o governo fiscalize? Uma ONG, que tem atribuições semelhantes, é muito mais fiscalizada. Mas a igreja não pode. E ainda há uma bancada evangélica e mecanismos políticos para blindar e evitar essa fiscalização.
Minha opinião é que isso é perigoso. Estamos numa linha muito tênue. Veja essa situação envolvendo a Lagoinha. De novo: não há prova de que a igreja esteja envolvida, mas o nome dela está sendo citado. Isso coloca todas as igrejas numa vala comum, como se todas fossem usadas para lavagem de dinheiro. E isso não é verdade.
O número de pessoas que usam igrejas para lavar dinheiro existe, e não é de agora. Há décadas isso acontece. Mas o número de igrejas que fazem isso é irrisório diante do mar de igrejas que existem no Brasil. Isso acontece em qualquer setor: prefeituras, escolas, faculdades, padres, policiais — sempre há alguém que usa uma estrutura para fins ilícitos. Mas é minoria.
Por isso, esse ponto é grave. Precisamos discutir com seriedade, sem generalizações, mas também sem medo de enfrentar os fatos.



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