Lagoinha Global, a dinastia Valadão e os escândalos do Banco Master
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- 11 de mar.
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e
A Igreja Batista da Lagoinha foi fundada em 1957, em Belo Horizonte, como parte da tradição batista. Com o tempo, especialmente a partir da liderança de Márcio Valadão em 1972, a instituição passou por uma transformação profunda, abraçando práticas carismáticas e neopentecostais.
Essa mudança levou a um crescimento acelerado, marcado pela criação do ministério de louvor Diante do Trono, que projetou a família Valadão nacional e internacionalmente.
A igreja deixou de ser apenas uma congregação local e se tornou uma verdadeira holding religiosa, com centenas de filiais e forte presença midiática, incluindo a Rede Super de televisão.
A família Valadão consolidou-se como uma dinastia religiosa. Ana Paula Valadão ganhou notoriedade com a música, André Valadão assumiu a gestão estratégica e política, e Mariana Valadão, junto com o marido Felipe, liderou a filial de Niterói.
André, em particular, passou a associar sua imagem à ostentação e ao sucesso material, utilizando redes sociais e aproximando-se de pautas políticas.
Sua liderança foi marcada por relógios milionários, áreas VIP nos cultos e até a fundação de um banco próprio, o Clava Fort Bank, voltado para igrejas e fiéis.
A aposentadoria de Márcio Valadão em 2022 desencadeou uma crise sucessória. André assumiu a presidência da Lagoinha Global, centralizando poder e impondo um modelo de franquia às filiais.
Isso gerou revolta entre pastores e até uma ruptura familiar: Mariana e Felipe foram processados pelo uso da marca Lagoinha em Niterói e acabaram mudando o nome da igreja para Novos Começos.
Ana Paula, embora discreta, apoiou a irmã caçula, evidenciando o distanciamento das práticas agressivas do irmão.
Paralelamente, vieram à tona as conexões da Lagoinha com o Banco Master. Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do banco, foi um dos principais financiadores da igreja, inclusive ajudando na aquisição da Rede Super e quitando dívidas pessoais de André Valadão.
Em 2025, a operação “Compliance Zero” revelou um esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master e desvios do INSS. Parte do dinheiro teria sido lavado por meio de doações a entidades religiosas, incluindo a Lagoinha, citada oficialmente em investigações da CPMI do INSS.
Pastores ligados à denominação, como André Valadão, Fabiano Zetel e André Fernandes, apareceram em listas de beneficiários de repasses suspeitos.
Esses episódios expõem a relação entre fé, poder econômico e disputas familiares dentro da Lagoinha Global.
A mercantilização da fé, a ostentação e os vínculos com escândalos financeiros levantam questionamentos sobre até que ponto a instituição se afastou de suas origens humildes e espirituais, transformando-se em uma marca global marcada por interesses políticos e econômicos.



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